O  Anúncio  da  fé  aos  Jovens:  realidade e  perspectiva

COOPERATORES VERITATIS
Coluna de Opinião

Autor: Waldeylson Silva Marques ¹

 

A Igreja tem cada vez mais demonstrado zelo especial pela Evangelização da Juventude, dou uma atenção especial para a Igreja de Pinheiro, que há vários anos decorrentes tem assumido com amor o desafiante, mas apaixonante, trabalho de evangelização da juventude como prioridade em nossa Diocese. Toda evangelização séria e comprometida, tem como objetivo apresentar a pessoa de Jesus Cristo e, consequentemente, a adesão consciente ao seu projeto pelo fiel crente. Mas surge uma pergunta: como anunciar, aos jovens, a fé em Jesus nesse tempo marcado pela pluralidade, secularização e globalização? Os jovens encontram-se agora num meio de vida em que a cultura religiosa não ocupa mais necessariamente um lugar de destaque. É diante desta realidade que a Igreja deve buscar perspectivas positivas para ajudar a reavivar a chama do Dom de Deus (2Tm 1,6) no coração dos jovens.

Não podemos ter a ilusão de que a fé é sempre abraçada pelos jovens quando esta a eles é proposta, tampouco podemos crer que a Igreja é sempre um ambiente atrativo para os mesmos. A respeito disso o documento pós-sinodal do Sínodo da Juventude, afirma que o Sínodo está ciente de que um número consistente de jovens, pelos motivos mais variados, nada pede à Igreja, porque não a consideram significativa para a sua existência (doc.53) e, ainda, que a adesão a uma comunidade de fé não é vista por todos como o caminho de acesso privilegiado ao sentido da vida (doc.49). No entanto, levando em consideração tal conjuntura, pode acontecer uma redescoberta da dimensão religiosa. Mas, nem sempre profícua. Trata-se, entretanto, de uma religiosidade mais individual. Face a tanto medo, pressa e caos, muitas pessoas voltam-se para vários tipos de manifestações, refugiando-se em grupos fundamentalistas em que as verdades são ensinadas de maneira dogmatizada, evitando, assim, a angústia da dúvida (CNBB, Doc. 85).  

Diante desse cenário, que por vezes nos parece intransponível, gostaria de oferecer duas impressões da conferência Episcopal do Québec que, como Igreja unida em Cristo, pode nos ajudar em uma nova Pastoral Juvenil. Primeira, a fé segundo o modelo de um rio com seus afluentes: o lar, escola, o ensino religioso-escolar e paróquias; portanto, a transmissão da fé como um legado recebido que passa de geração em geração, não tem se mostrado eficaz. O que importa agora é o caráter fontal da fé, precisamos tocar na fonte, isto é, no coração dos jovens, no centro da experiência: não nos abrasava o coração quando ele nos falava pelo caminho? (Lc 24, 32). Nessa perspectiva, devemos voltar às fontes, a fonte que falava os profetas, os velhos esquemas precisam ser esquecidos, os métodos por vezes não nos ajudam, pois como dizem os bispos do Québec “a educação na fé não é uma questão de recursos a reunir; é, primeiramente, uma questão de encontrar a fonte”. Segunda, mais do que oferecer cursos aos jovens, é necessário propor-lhes um percurso, tal como a iniciação a vida cristã nos propõe. O percurso abre espaço para a pessoa, para a sua autonomia, para o seu caminho. Desse modo, a fé e a Igreja não se tornam um peso imposto aos jovens. Por fim, somos chamados, sobretudo neste tempo, a reconhecer que a fé se anuncia em primeiro lugar através do testemunho de pessoas de fé. Portanto, anunciar a fé aos jovens é dar-lhes um caminho, convidá-los a fazer a experiência, “vinde e vede” (Jo 1, 39), inserir-lhes pouco a pouco em um território novo e desconhecido. Acompanhando-os.

Pe Ribamar Rodrigues mostra seu talento em belas canções. Clique e ouça:

 

Musica: Aos que se despediram  

Musica: O jamais acabará

1. Waldeylson Silva Marques é seminarista da Diocese de Pinheiro cursando o 3° período de teologia, atualmente é assessor diocesano da Pastoral da Juventude e realiza sua pastoral-missionária na Paróquia de São Benedito em Pinheiro. Graduado em Filosofia e com especialização em Filosofia e Direitos Humanos.

Obs: As opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor.

O CORONAVÍRUS E O CHARLATANISMO

Autor: Pe. Anderson Pereira ¹

Enquanto a Igreja Católica cumpre seu papel de esposa e discípula de Cristo, promovendo a caridade em meio à pandemia (basta uma rápida pesquisa na internet para ver as iniciativas e doações da Igreja Católica já realizadas), infelizmente, cresce no meio protestante a prática do charlatanismo (não estou generalizando), ou seja, aqueles que surgem inculcando ou anunciando cura para o novo coronavírus por meio secreto ou infalível. Ademais, tal prática é crime, de acordo com o artigo 283 do Código Penal.

Cito, por exemplo, uma “igreja evangélica” de Porto Alegre que prometia "imunização" contra o coronavírus por meio de um "óleo consagrado". O Ministério Público do Rio Grande do Sul entrou com uma ação contra a referida igreja.

Como não citar o exemplo do áudio que viralizou ao afirmar que um fio de cabelo encontrado na Bíblia seria a cura e antibiótico contra a COVID-19!? Centenas de pessoas “desenferrujaram” suas Bíblias à procura de tal fio de cabelo.

E o que dizer do midiático pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, que se auto intitula “apóstolo” (quanta pretensão), que gravou um vídeo em que aparece prometendo a cura para a COVID-19, causada pelo novo coronavírus, por meio de uma “semente milagrosa”!? Simplesmente pede o “propósito de R$ 1 mil” por ela aos fiéis e seguidores.

Quando a gente acha que já viu de tudo nessa vida, sempre aparece algo que nos surpreende.

Outro exemplo mais recente é o caso de uma manifestação liderada por um “pastor evangélico” em que os manifestantes queimaram máscaras em “protesto” contra o coronavírus, alegando que “Jesus não quer ver ninguém mascarado”.

Tais exemplos só mostram como em meio à pandemia há oportunidades e oportunismos. Oportunidade pode ser entendida, por exemplo, como o desenvolvimento de ações benéficas para combater os impactos da COVID-19 (A Igreja Católica soube fazer da pandemia uma oportunidade). Oportunismo, por sua vez, pode ser pejorativamente associado à tendência de tirar proveito em detrimento do sofrimento alheio. É o que está acontecendo em meio ao protestantismo (sem generalizar). Infelizmente, além do desastre do coronavírus propriamente dito, há outro bem maior: aquele causado pelo oportunismo de alguns manipuladores.

É triste quando o charlatanismo se torna algo comum nas religiões e seitas de todo o mundo, visando somente o lucro. Ao invés de serem um bálsamo para suportar os percalços e as angústias da existência, algumas se tornam fardos pesados difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; sendo que eles (os falsos pastores) nem com o dedo querem movê-los (cf. Mt 23,4). Quem comete tal ato não passa, portanto, de falsos profetas e sanguessugas do povo, que usam o nome de Jesus Cristo para obter vantagens pessoais.

Cuidado com falsas promessas de imunização contra o coronavírus. De acordo com a OMS, ainda não existe um medicamento ou vacina 100% eficiente contra a COVID-19.

1. Pe. Anderson Pereira é sacerdote diocesano desta Diocese, Pároco da Paróquia do Santíssimo Salvador (Apicum-Açu/MA), Coordenador Diocesano da Catequese e possui especialização em Ciências da Religião e  Sagradas Escrituras.

Obs.: As opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor.

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